
O livro é de fotos. Texto é mero convidado. A nutrição do livro é a luz natural, o equilíbrio gingante da lente do Guma. Sua sutileza objetiva, nada interessada em mostrar miséria e fome, bem ligeira com uma tradição de coitadinho que se encarrapatou aqui no Brasil trazendo cruz, livro santo e chicote, exaltando a carestia e se engrandecendo ao procurar se comover com penúria, com martírio, pra rezar na sacristia e pedir vida melhor depois do enterro.
Guma é teimoso e tem o dom, insiste em captar a Poesia da atmosfera, abençoado pelas forças do imaginário, essa nuvem que fertiliza e relampeia, nuvem que não se pode acorrentar nem esquartejar, que nunca se define por completo, sempre a ressuscitar das trancas cerebrais.



