
Tem segredo escondido nas estórias deste livro. Alguns. Estão mocozados, mas são fosforescentes. E me chamaram pra silenciosamente explorar os cantos do seu terreno baldio.
Dos segredos deste livro, alguns são meus também. Cabem no meu espelho, no meu joelho machucado, na minha pulseirinha. São retalhos, arretados, de quem imaginou que eu ia ler. Fez a janta esperando.
Tem vexame. Tem bronca falada baixinho, que eu nem sei se é bronca. Tem gargalhadas no escuro.
Um segredo coube numa garoa que eu tomei, outro numa piada que eu inventei que só eu achei graça. Outro, no fiapo de um olhar tímido meu. No meu sapato. E nas suas pegadas apareceram sujeiras que minha sola também juntou por onde pisou.
Segredos da minha mochila e do meu Sol, mas que não são iguais iguaizinhos. Tem uns encantos e uns chavecos aí também que eu nunca vi, que são só de quem escreveu. E outros que são só de quem lê.
Este livro pode ser pauleira às vezes, mas também é delicado. Nem por isso faça cerimônia pra entrar. Traga toda tua família e se você não tiver uma, aí dentro tem uma pra você. Em eterno movimento.
E talvez aqui o teu professor vai encontrar uma estória que vale a pena ser lida, e ele vai recitá-la. Mas com tesão , sem dar chance pra quem tá ouvindo ficar sonado, senão pode dar mais bicheira ainda em quem pensa, vacilando, que livro é fita de palerma, de boy ou de torturador



