QUA – 27/01 - 12hs às 14hs – No Diálogo Interplanetário de Cultura Livre - pelo Fórum Social Grande Porto Alegre 10 anos, Parque Eduardo Gomes – Galpão 17 - Estação Fátima, Canoas/RS.
Com Matias Reck (Editorial Milena Caserola - Argentina), Dardo Ceballos (Red Panal - Argentina), Allan da Rosa (Toró), Gustavo Anitelli (Música para Baixar - Brasil) e Dan Baron (IDEA - Brasil)
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Sustentabilidade e novos modelos de negócios: é possível ser um profissional da cultura livre?
Os maiores entraves ao desenvolvimento da cultura livre são provavelmente as dificuldades econômicas que os produtores culturais encontram para permitir o livre acesso a suas obras e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade da sua atividade profissional. Se os produtores abrem mão das receitas do direito autoral, como fazem para sustentar sua atividade? Afinal, o direito autoral já foi em algum momento relevante? E como será no futuro? De que maneira podemos criar formas de sustentabilidade que sejam emancipatórias e que se diferenciem daquelas que já estão sendo experimentadas pela indústria cultural?
Horário: das 12h às 14h
Local: Parque Eduardo Gomes – Galpão 17
Estação referência do Trensurb: Estação Fátima
Diálogo Interplanetário de Cultura Livre
FSM Grande Porto alegre 2010
Que cultura queremos?
Entendemos a cultura não apenas como a forma de expressão das relações e sentimentos humanos, mas também como um poderoso instrumento político. O controle de sua produção e do acesso a ela é elemento essencial para manter a dominação dos povos e a concentração de poder. A cultura restrita e limitada pela lógica mercantil entope de resignação as veias pelas quais corre a criatividade humana e bloqueia as possibilidades de produção diversa e abrangente que o desenvolvimento cultural livre exige. A cultura genuinamente livre depende de autonomia, acesso universal e livre manifestação. Não pode ser determinada por direcionamentos e restrições mercantis, e deve garantir a sobrevivência justa e solidária do autor.
Mas, justamente por suas características políticas e sociais, não basta que apenas o produto cultural tenha essas características. É necessário que todo o processo de criação e difusão seja livre, garantindo aos sujeitos sociais condições suficientes para criar e acessar todos os bens culturais. A cultura livre é, portanto, um passo na construção de uma sociedade livre.
Assim, é preciso distinguir. Reivindicamos uma cultura que não seja apenas gratuita, mas sim genuinamente livre. Livre das amarras do mercado, das imposições do Estado, das limitações econômicas e dos interesses corporativos. Não queremos uma produção cultural que sirva aos 'novos modelos de negócios' das grandes empresas, nos quais as liberdades de acesso aos bens são mantidas mas o circuito de produção mercantil se recompõe. A cultura livre deve, por um lado, garantir a diversidade sem se submeter à lógica da indústria cultural e, por outro, garantir o acesso livre, gratuito e não mercantil aos bens culturais.
Ao mesmo tempo, é essencial pensar a sustentabilidade e a construção dos criador@s livres dessa cultura, mesmo dentro dos limites do atual sistema econômico. Precisamos, para começar, combater o jabá e pensar um mercado baseado nos verdadeiros princípios da economia solidária, buscando a autogestão e a diversificação do acesso da população à cultura de qualidade.
Devemos questionar os modelos de publicidade e das concessões dos meios de comunicação, que produzem falsos desejos e uma cultura fútil, que promove apenas os artistas que se submetem à lógica da indústria.
Por isso, precisamos fortalecer um movimento de cultura livre que seja contra esse atual modelo, que seja autônomo, genuíno e intimamente ligado às questões políticas e às relações sociais e humanas. Queremos uma cultura livre que seja, também, conhecimento livre. Ela deve incorporar a luta pela livre determinação dos povos originários, de suas culturas e costumes. Deve lutar pelo fim das patentes, pelo acesso universal à saúde e à educação e pela proteção de todas as formas de vida.
A hora é agora
Vivemos um momento de definição do que é o acesso e a produção da cultura. As novas tecnologias, por um lado, permitem a democratização da produção e acesso à comunicação, cultura e conhecimento, mas, por outro lado, há também um processo de institucionalização e de cercamento legal que está travando essa democratização ou a recolocando no circuito de produção mercantil. As leis internacionais e nacionais que regulamentam o tráfego de informações são cada vez mais rígidas e engessam, assim, as possibilidades criativas que tinham sido abertas.
Sob essa perspectiva, convocamos organizações, coletivos e indivíduos para discutir o projeto da cultura livre que queremos no Diálogo Interplanetário de Cultura Livre, que acontecerá durante o Fórum Social Grande Porto Alegre 10 anos, na cidade de Canoas, entre os dias 25 e 29 de janeiro de 2010.
Queremos dar início à construção internacional de um espaço autônomo para a discussão de uma cultura contestátoria, que abarque aqueles em busca da emancipação e da liberdade na produção cultural e que tenha vistas a um Fórum Internacional de Cultura Livre, no segundo semestre de 2010.
O Diálogo Interplanetário de Cultura Livre já conta com articulações em países como Argentina, Uruguai e Brasil e está aberto a tod@s que quiserem contribuir. Será um espaço autogestionado de debates e produção cultural, com feiras de livros, shows de música independente, debates sobre a propriedade intelectual, produção cultural, transmissões de rádios e TVs comunitárias, oficinas de software livre e muito mais - ou o que aparecer.



